Home
Quimioradioterapia como tratamento definitivo é a opção padrão de tratamento para os pacientes que responderam ao tratamento do carcinoma epidermóide de esôfago

Título original: Chemoradiotherapy versus chemoradiotherapy plus Surgery for esophageal cancer (Review).


O tratamento multimodal é padrão no tratamento do câncer esofágico com intenção curativa. Todavia o papel da adição de cirurgia à quimiorradioterapia é controverso. Os autores realizaram uma revisão sistemática nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE e Embase utilizando palavras-chave e termos MeSH. Também pesquisaram em 5 bases de dados de estudos clínicos e realizaram busca manual em abstracts de congressos e em listas de referências de artigos. Dois autores independentes selecionaram, extraíram os dados, avaliaram o risco de viés e checaram a qualidade da evidência utilizando procedimentos metodológicos da Cochrane. O desfecho primário foi sobrevida global. De 2667 estudos, os pesquisadores identificaram 2 estudos clínicos randomizados que incluíram 431 pacientes. Todos os participantes apresentaram pelo menos estádio T3 ou linfonodo torácico positivo e 93% eram de histologia escamosa.


Key points:


Doença: Carcinoma escamoso de esôfago

Contexto: Tratamento definitivo

Desenho: Meta-análise

Amostra: 431 pacientes

Desfechos: Sobrevida global

Autores da análise: Duílio Rocha Filho

Qualidade geral do estudo*:

Limitações: A análise não utilizou dados de pacientes individuais. O número pequeno de estudos e de pacientes é um outro limitante do estudo. O estudo limita-se quase exclusivamente a pacientes com carcinoma epidermóide.

Potencial impacto na prática clínica: Em pacientes com câncer esofágico de células escamosas que obtiveram resposta com quimiorradioterapia, pode ser discutido adotar conduta não-cirúrgica.

*Avaliação do editor do GTG:
Muito baixa     Baixa     Moderada     Alta     Muito alta

Contexto:


O câncer de esôfago é dividido em dois tipos principais: o escamoso e o adenocarcinoma. A sobrevida global em 5 anos aumentou de 5% para 18,5% entre 1975-1977 e 2001-2007 nos Estados Unidos, segundo o NCI (1). Para a doença localmente avançada (T2-T4 e/ou linfonodo positivo), costuma-se recomendar tratamento multimodal. A cirurgia definitiva atinge taxas de cura de cerca de 20% (2), enquanto que a quimiorradioterapia mostrou-se superior à radioterapia isolada em pacientes com tumor escamoso potencialmente ressecáveis (3).

Alguns estudos de fase 2 e 3 compararam a quimiorradioterapia pré-operatória versus cirurgia somente. Uma meta-análise não conseguiu definir vantagem da quimiorradioterapia pré-operatória versus quimioterapia pré-operatória seguida de cirurgia nesta população. Não há consenso sobre qual a melhor abordagem entre o tratamento com três modalidades (quimiorradioterapia pré-operatório + cirurgia) versus quimiorradioterapia definitiva. Os pesquisadores conduziram uma revisão sistemática tentando comparar a eficácia e segurança da cirurgia com quimiorradioterapia vs quimiorradioterapia somente no câncer esofágico não metastático.

Análise:


O objetivo foi comparar a efetividade e a segurança da quimiorradioterapia seguida de cirurgia versus a quimiorradioterapia sozinha em pacientes com carcinoma esofágico não metastático. Os autores realizaram uma revisão sistemática nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE e Embase utilizando palavras-chave e termos MeSH. Também pesquisaram em cinco bases de dados de estudos clínicos e realizaram busca manual em abstracts de congressos e em listas de referências de artigos.

Foram elegiveis os estudos clínicos randomizados que compararam quimiorradioterapia seguido de cirurgia versus a quimioradioterapia sozinha. Os autores excluíram estudos randomizados comparando quimioterapia ou radioterapia seguido de esofagectomia.

Dois autores independentes selecionaram, extraíram os dados, avaliaram o risco de viés e checaram a qualidade da evidência utilizando procedimentos metodológicos da Cochrane. O desfecho primário foi sobrevida global (SG), estimado por Hazard Ratio (HR). Os desfechos secundários foram estimados por risco relativo (RR) e incluíram a sobrevida livre de progressão (SLP), qualidade de vida (QV), mortalidade e morbidade relacionadas ao tratamento, e o uso de procedimentos de salvamento para disfagia. Os pesquisadores utilizaram o modelo de efeitos randômicos.

De 2667 estudos, os pesquisadores identificaram 2 estudos clínicos randomizados que incluíram 431 pacientes. Todos os participantes apresentaram pelo menos estádio T3 ou linfonodo torácico positivo e 93% eram de histologia escamosa. O risco de viés metodológico dos estudos incluídos é baixo a moderado.

A adição de esofagectomia não mostrou diferença na SG (HR 0,99; IC95% 0,79 a 1,24; P=0,92; em 2 estudos de alta qualidade). A esofagectomia possivelmente melhora o controle locorregional da doença (HR 0,55; IC95% 0,39 a 0,76; P=0,004; evidência de moderada qualidade). Por outro lado, há evidências de baixa qualidade metodológica de que a cirurgia possa aumentar o risco de morte relacionado ao tratamento (RR 5,11; IC95% 1,74 a 15,02; P=0,003; em 2 estudos).

Os outros desfechos pré-especificados (QV, toxicidade relacionada ao tratamento e uso de procedimento de salvamento para disfagia) só foram relatadas em um dos estudos com uma evidência metodológica de muita baixa qualidade.

Conclusão / Fechamento:


Com base nos achados desta revisão sistemática, o papel da esofagectomia após a quimiorradioterapia no câncer de esôfago escamoso pode ser discutido, em especial em pacientes com maior risco de morbidade associada ao procedimento cirúrgico. A SG não foi alterada e aparentemente há maior risco de complicações e óbitos relacionados ao tratamento. Por outro lado, há uma redução da recidiva local com o tratamento trimodal.

Referencias:

  1. Vellayappan BA, Soon YY, Ku GY, Leong CN, Lu JJ, Tey JC. Chemoradiotherapy versus chemoradiotherapy plus surgery for esophageal cancer. The Cochrane database of systematic reviews. 2017;8:Cd010511.
  2. Altorki N, Kent M, Ferrara C, Port J. Three-field lymph node dissection for squamous cell and adenocarcinoma of the esophagus. Annals of surgery. 2002;236(2):177-83.
  3. Cooper JS, Guo MD, Herskovic A, Macdonald JS, Martenson JA, Jr., Al-Sarraf M, et al. Chemoradiotherapy of locally advanced esophageal cancer: long-term follow-up of a prospective randomized trial (RTOG 85-01). Radiation Therapy Oncology Group. Jama. 1999;281(17):1623-7.

Fonte: Cochrane Database Syst Rev. 2017 Aug 22;8: [Epub ahead of print]

palavras-chave: carcinoma de esôfago, quimioradioterapia, cirurgia, tratamento definitivo

Declaração legal, Política de Privacidade e Política de Uso